Os primeiros versículos do capítulo seis de Gênesis pintam um quadro muito sombrio. A terra estava corrompida. A maldade do homem era muito grande. Parecia ser mesmo uma depravação total. Todos os pensamentos do coração humano eram maus continuamente (Gn 6.5).
Diante do exposto, concluímos logicamente três coisas:
1. Resistência ao Espírito Santo
Não é de se estranhar que o coração de Deus se sentisse agravado e por isso, determinasse varrer da face da terra essa raça corrompida, para iniciar uma outra nova, com Noé e sua família.
Através da Bíblia, você pode observar o amor de Deus, mesmo em contraste com as provocações dos homens, no desprezo às Suas advertências e na excessiva prática do pecado. Por essa razão, Deus continuava agindo para retornar a Si o coração do homem, e este esforço era realizado através do Espírito Santo. A vida dissoluta dos homens antes do dilúvio prova, sem dúvida, a resistência destes ao Espírito Santo.
2. Persistência do Espírito Santo
Deus mostrou misericórdia a Noé, provendo um meio de escape do julgamento prestes a envolver toda a terra. Era isto que se podia esperar, visto que Noé era justo e andava com Deus (Gn 6.9). Deus é infalível e sempre pronto a usar de misericórdia para com os que praticam a justiça.
A misericórdia de Deus, no entanto, não se limitava a Noé e sua família exclusivamente. Deus também mostrava a sua bondade para com os maus.
Em Gênesis 6.3, lemos: “Então disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem”. Por isso, Deus enviou Seu Espírito para tratar com a humanidade, dando-lhe cento e vinte anos de tempo oportuno para ouvir os conselhos de Deus pelo Espírito, através das mensagens de Noé, pregador da justiça (2 Pe 2.5). É provável, portanto, que o Espírito Santo por longos anos persistiu na luta de levar os contemporâneos de Noé ao arrependimento, fugindo à condenação destinada aos ímpios. Aqui vemos que o grande ministério realizado pelo Espírito Santo em nossos dias era executado também antes do dilúvio.
Homens degenerados se conservam rebeldes contra o Espírito Santo. Suas advertências acerca do juízo vindouro os torna inquietos e atribulados. Mas aqueles que ouvem, atendem e se arrependem, têm um motivo justo de agradecimento ao Espírito de Deus, pela fidelidade e persistência no cumprimento de Sua missão divina, de avisá-los dos caminhos perigosos do pecado.
3. Desistência do Espírito Santo
“O meu Espírito não agirá para sempre no homem”. A paciência de Deus vai além do entendimento do homem mortal, mas não é inesgotável. Muitos homens sábios e espirituais crêem que, comparativamente poucas pessoas não chegam a ser atingidas pela ação benévola do Espírito de Deus. É certo, porém, que muitos se colocam fora da ação regeneradora do Espírito Santo. Negam-se a ouvir a Sua voz. Quanto a isto, as Escrituras advertem que é terrível a condição de qualquer pecador que deixa passar as suas oportunidades de ser salvo. “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hb 3.7,8).
Pelo estudo deste Texto, você pode certificar-se da presença do Espírito Santo e do Seu empenho pela salvação do mundo antes do dilúvio.
Referência
SOUZA, Estêvam Â. de. O Espírito Santo: sua pessoa e sua obra. 2. ed. Campinas, SP: EETAD, 1992.