Deus tem Se revelado através dos tempos por meio de Suas obras, isto é, a Criação (Rm 1.20; Sl 19.1-6). Porém, na Palavra de Deus temos uma revelação especial e maior. Temo-la de duas maneiras:
- Na Bíblia – a Palavra Escrita (Rm 15.4);
- Em Cristo – a Palavra Viva (Jo 1.1).
Esta revelação é dupla e tornou-se necessária devido à queda do homem.
O estudo das Escrituras
A necessidade do estudo das Escrituras está explícita nos seguintes textos:
“… santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.” (1Pe 3.15)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2Tm 2.15)
“Buscai no livro do SENHOR, e lede. Nenhuma destas criaturas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a boca do SENHOR o ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará.” (Is 34.16)
“A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.” (Sl 119.130)
O preparo e o entendimento das Escrituras ocorre por meio de seu estudo organizado e sistemático. A análise dos versículos acima nos conduz a dois pontos de suma importância: porque e como devemos estudar a Bíblia.
Estudar é mais do que ler: é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático, e constante e compenetrado, por meio do raciocínio, da percepção e da memória.
Porque estudar a Bíblia
Destacamos abaixo quatro razões pelas quais devemos estudar a Bíblia
1. É o único manual de vida
O crente é salvo para servir ao Senhor (1Pe 2.9; Ef 2.10). Sendo a Bíblia o livro-texto do cristão, é imperioso que este a maneje bem para o desempenho eficiente de sua missão (2Tm 2.15). O profissional eficiente sabe empregar as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática: ela provém do estudo e da prática.
Assim deve ser o crente na vida cristã e no trabalho dedicado ao Senhor em relação ao seu manual – a Bíblia. Entre as promessas de Deus àquele que conhece devidamente a Sua Palavra, encontramos a registrada em Isaías 55.11: “assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designe.”
2. Alimenta nossa alma
Não há dúvida de que o estudo da Palavra de Deus proporciona nutrição e crescimento espiritual. É tão indispensável à alma quanto o pão ao corpo. Nas passagens a seguir, ela é comparada ao alimento, porém este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo.
“Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt 4.4)
“Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois, pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos.” (Jr 15.16)
“desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” (1Pe 2.2)
O texto de 1 Pedro 2.2 fala do intenso apetite dos recém-nascidos; assim deve ser o nosso apetite pela Palavra divina. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual.
3. É o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef 6.17).
Se em nós houver abundância da Palavra de Deus, o Espírito Santo terá o instrumento com que operar. É preciso, pois, meditar nela (Sl 1.2; Js 1.8). É preciso deixar que ela domine todas as esferas da nossa vida, dos nossos pensamentos e do nosso coração e, assim, molde todo o nosso viver diário. Em suma: precisamos ficar saturados da Palavra de Deus.
Um requisito primordial para Deus responder nossas orações é estarmos imbuídos da Sua Palavra. Aqui está, em parte, a razão de muitas orações não serem respondidas: o desinteresse pela Palavra de Deus.
O texto de João 15.7 diz: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” Pelo menos três fatos estão implícitos aqui:
- Na oração precisamos apoiar nossa fé nas promessas de Deus, que estão na Bíblia;
- A Palavra de Deus produz fé em nós (Rm 10.17);
- Nossas petições devem ser feitas segundo a vontade de Deus (1Jo 5.14), e um dos meios de sabermos a vontade de Deus é a Sua Palavra.
4. Enriquece espiritualmente nossa vida (Sl 119.72).
Essa riqueza provém da revelação do Espírito primeiramente “para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.” (Ef 1.17). A pessoa que procurar entender a Bíblia somente através da capacidade intelectual muito cedo desistirá da leitura. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus (1Co 2.10).
Um renomado expositor cristão informa que há 32.000 promessas na Bíblia toda! Pensemos que fonte de riqueza há aí! Entre as riquezas derivadas da Bíblia está a formação do caráter ideal, bem como a formação da vida cristã. A Bíblia é a melhor diretriz de conduta humana; a melhor formadora de caráter. Os princípios que modelam nossa vida devem dela proceder.
A falta de orientação espiritual correta e pronta segundo a Palavra de Deus, especialmente quanto a novos convertidos, tem resultado em inúmeras vidas desequilibradas e doentias pelo resto da existência, as quais só um milagre de Deus pode reajustar. Pessoas assim ferem a si mesmas e aos demais a seu redor.
A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o homem e dele requer, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus, quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar o Livro e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo.
O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo e praticar a Bíblia para ser santo.
Na vida cristã e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos poderá lembrar o texto bíblico preciso se este tiver sido lido ou estudado (Jo 14.26). É possível alguém ser lembrado de algo que não sabe ou, no caso específico da Bíblia, não tenha lido? É evidente que não. Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele o instrumento com que operar a Palavra de Deus.
Ter o Espírito Santo e não conhecer a Palavra de Deus conduz ao fanatismo, visto que há pessoas assim querem usar o Espírito Santo, em vez de permitir que Ele as use. Conhecer a Palavra e não ter o Espírito conduz ao formalismo. Estes dois extremos são igualmente perigosos.
Referência
SILVA, Antonio Gilberto da. Bibliologia: introdução ao estudo da Bíblia. Campinas, SP: EETAD, 2006.